Flávio Bolsonaro foi para Miami decidido a liderar a resistência. Mal desembarcou, descobriu que seus aliados haviam inaugurado a resistência a Flávio Bolsonaro.
Começou a debandada. Salve-se quem puder!
Tarcísio contou que aconselhou Flávio a ficar, reconheceu a vitória de Lula e, comovido com a partida do amigo, já admitiu disputar a Presidência em 2030.
O homem ainda estava desfazendo as malas em Miami e Tarcísio já ensaiava medir as cortinas do Planalto!
Rogério Marinho, coordenador da campanha, admitiu que não há provas de fraude e classificou a carta golpista como um “desabafo”.
Extraordinário! O golpe de Estado virou crise emocional. Daqui a pouco receitam repouso, chá de camomila e afastamento das redes sociais.
União Brasil, MDB, PSDB e outros partidos correram para reconhecer o resultado eleitoral. Até Aécio Neves achou a atitude “incompreensível”. Quando Aécio começa a dar lições de prudência política, é porque a situação ultrapassou os limites do grotesco.
Mas a maior humilhação veio do céu!
O bispo da igreja frequentada por Flávio decretou: “Não tem terceiro turno. Pare de profetizar o caos.”
Meu Deus! Até o pastor mandou encerrar o Apocalipse!
Restou a bancada do PL, que declarou “total apoio” ao senador e à sua decisão de deixar o Brasil.
Que demonstração de solidariedade! Apoio irrestrito, desde que a distância seja internacional.
E Trump, o grande protetor? Também tirou o corpo fora: “Não vou me envolver.”
Flávio conseguiu reunir direita, centro, esquerda, pastor e até Trump numa extraordinária convergência: ninguém quer assumir a paternidade da sua maluquice.
Agora, o autoproclamado “líder do Brasil” pretende comandar a oposição por correspondência, enquanto seus aliados, aqui, já discutem quem ocupará o espaço que ele deixou.
Aos 44 anos, Flávio Bolsonaro descobriu uma modalidade inédita de liderança política: sair de cena e assistir, de Miami, aos próprios aliados disputarem seu lugar.
- Julio Benchimol Pinto

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