Flávio Bolsonaro foi à Globo anunciar uma revolução na economia: o primeiro governo financiado pela Providência Divina.
Prometeu consertar o Brasil inteiro em quatro anos. Dinheiro? Virá do combate à corrupção. Quanto? Não sabe. Como? Não explicou. Uma inovação na ciência econômica: receita sem estimativa, despesa sem planilha e equilíbrio fiscal pela imposição das mãos.
Garantiu ser qualificadíssimo e anunciou que seu governo será um projeto de Deus.
Segundo o Gênesis, Deus criou o mundo em seis dias. Agora precisará de quatro anos para consertar o Brasil. Só falta saber se aceitou o convite para ministro da Fazenda.
Então Renata Lo Prete fez uma pergunta inconvenientemente terrena: por que, entre tantos empresários, Flávio foi pedir dinheiro justamente a Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre seu pai?
Resposta: a produtora já explicou tudo. E a Globo também recebeu patrocínios!
Extraordinário! Perguntaram sobre Vorcaro, respondeu sobre a Globo. Pediram esclarecimentos, ofereceu uma cortina de fumaça. A Polícia Federal continua investigando os milhões repassados ao filme.
Eis o programa de governo: para gastar, promessas; para arrecadar, milagres; para explicar Vorcaro, a Globo; para prestar contas, a produtora.
E, quando a aritmética não fechar, Deus proverá.
O problema é que o Brasil precisa de um presidente, não de um pastor da contabilidade criativa.
E Deus, até onde se sabe, não assinou nenhuma procuração.
– Julio Benchimol Pinto

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