Jair Bolsonaro tentou permanecer no poder depois de perder as eleições. Foi condenado por tentativa de golpe. Agora, seu filho Flávio Bolsonaro promete mudar a Constituição para “redemocratizar” o Brasil.
A família que tentou derrubar a democracia apresenta-se como sua restauradora. É como entregar o comando dos bombeiros ao incendiário.
Mas existe algo ainda mais preocupante.
O PL elegeu 121 deputados e 28 senadores. O Centrão já negocia ministérios. O próximo presidente poderá indicar quatro ministros ao Supremo até 2030.
Isso não garante uma autocracia, mas cria condições perigosamente favoráveis à sua construção.
O pai apostou na ruptura. O filho poderá apostar na ocupação gradual das instituições, na alteração das regras e no enfraquecimento dos mecanismos de controle.
O resultado pode ser muito mais duradouro que um mandato presidencial.
Eis o perigo: conservar as urnas e esvaziar a democracia.
Você pode detestar Lula, criticar seu governo e desejar sua derrota. Democracia é precisamente isso.
Mas convém distinguir um presidente que se pode derrotar daqui a quatro anos de um projeto que pode tornar progressivamente mais difícil derrotar quem governa.
A direita democrática também deveria pensar nisso. Afinal, ninguém precisa incendiar a própria casa para se livrar de um inquilino indesejável.
Em 25 de outubro, decidiremos quem terá as chaves do poder e, sobretudo, se continuaremos capazes de recuperá-las.
– Julio Benchimol Pinto

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