O Tigrinho Virou Tigrão
Tem brasileiro que perde cinquenta reais no tigrinho e desinstala o aplicativo.
Willer Tomaz jogou em outra categoria: entre janeiro de 2025 e julho de 2026, fez 53.310 apostas, que somaram R$ 6,6 bilhões. Atenção: ele não depositou R$ 6,6 bilhões. Foram R$ 325,3 milhões efetivamente colocados na plataforma, reciclados aposta após aposta.
A parte mais cinematográfica veio das conversas que o próprio advogado levou ao processo contra a Blaze. Quando reclamou da biometria obrigatória para sacar, o concierge respondeu: “Você não vai mais ser amolado com o reconhecimento facial”. A regra federal exige justamente reconhecimento facial para retirada de dinheiro. Em outro diálogo, Willer contou que bancos e reguladores estavam questionando sua movimentação e perguntou por uma linha de crédito; surgiu até criptomoeda como alternativa.
Depois de perder cerca de R$ 163 milhões em 2025, Willer foi à Justiça contra a própria bet e alegou, entre outros pontos, ludopatia e falhas de jogo responsável. Pediu ainda o bloqueio de R$ 145,5 milhões da empresa. A liminar foi negada. Paralelamente, a PF investiga se a gigantesca movimentação financeira tem relação com lavagem de dinheiro.
Willer é amigo de Flávio Bolsonaro, com quem já viajou. Até agora, porém, não apareceu prova pública de participação de Flávio nas apostas. O personagem desta história é Willer - e ele já produz roteiro suficiente para três temporadas.
Para completar a comédia brasileira, Richarlison, que trava com ele uma disputa por uma mansão em Angra, viu a notícia de que Willer queria dinheiro de volta e comentou:
“Minha casa não quer devolver, né!!! Kkkk”
Nesse ponto, a realidade dispensou o roteirista.
- Julio Benchimol Pinto



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