No debate da Band, Flávio Bolsonaro descobriu uma curiosa utilidade para o espaço atrás de Lula: transformar o enquadramento do adversário em palco para as próprias gesticulações. Balançou a cabeça, fez sinais negativos, tentou interferir. A mediadora precisou adverti-lo. Pablo Marçal havia anunciado que o treinara. Não sabemos o conteúdo das aulas. A semelhança da coreografia, porém, chamou a atenção. Mas o que merece uma reprise são as perguntas. Por que Flávio votou contra a ampliação da licença-maternidade? Não apresentou justificativa específica. Qual foi o destino dos recursos envolvidos no financiamento de Dark Horse? Ofereceu a Lula um convite para assistir ao filme. Por que flexibilizar a rastreabilidade das munições? A pergunta ficou sem resposta direta. Adotaria o modelo econômico de Javier Milei? Preferiu falar de outros governos latino-americanos. E então veio o desafio mais concreto da noite. Lula propôs que ambos abrissem os sigilos bancários e telefônicos, inclusi...
SEM DIREITOS E A REPÚBLICA COM SOBRENOME Renata Lo Prete perguntou a Flávio Bolsonaro sobre um projeto armamentista que pretendia eliminar a marcação das munições, instrumento fundamental para rastrear disparos e desvios de armamentos. Resposta: vai combater o crime organizado! Renata insistiu. A pergunta continuava sem resposta. Flávio classificou a questão como um detalhe sem importância. Extraordinário! Para combater o crime, primeiro se apagam as pistas. Depois se declara a facção terrorista e se promete que os bandidos passarão a vida na cadeia ou serão “neutralizados”. A investigação criminal pode ser substituída por uma sessão de espiritismo balístico: a polícia pergunta à cápsula de onde veio o tiro, e ela responde do além. Quando Renata perguntou sobre aliados políticos investigados por envolvimento com organizações criminosas no Rio, surgiu o constrangimento que nenhum discurso de valentia resolve. Márcio Canella, apoiado por Flávio para o Senado, foi preso ontem pela P...