Michelle Bolsonaro acaba de inaugurar uma nova fase do bolsonarismo: o ecumenismo de tornozeleira. Depois de anos tratando Alexandre de Moraes como encarnação do mal, ditador da toga, anticristo de careca reluzente e dono do inferno com CEP em Brasília, Michelle subiu ao palco e chamou o ministro de “irmão em Cristo”. Foi um abalo teológico na extrema direita. A militância, que até ontem via Moraes como Belzebu com inquérito interminável, acordou tendo de processar a informação de que talvez o demônio agora frequente a mesma igreja, sente no mesmo banco e ainda esteja a caminho da conversão. Michelle disse que Moraes pode virar Paulo. A base entendeu outra coisa: que Jair precisa de autorização, Flávio está enrolado até o pescoço, o PL está em clima de velório e, quando a água bate no pescoço, até Alexandre de Moraes vira irmão separado na fé. Pouco depois, veio mensagem sobre perdão. Linda. Evangélica. Edificante. Convenientemente publicada depois do carinho público no homem que,...
A procuradora municipal de Macaé, Renata Pimentel Ribeiro, escreveu: “Não vou fazer mais política pública pra poder ajudar esse tipo de gente.” Aconselhou empresários a não contratar artistas, nordestinos, mineiros e pessoas pobres. E arrematou: “Este povo vai continuar passando fome pegando água de bica.” Enquanto isso, ela seguiria, em suas palavras, “linda maravilhosa”. Que abismo moral é esse em que a fome de um brasileiro vira motivo de deboche para quem recebe dinheiro público? Uma procuradora não é proprietária do Estado, políticas públicas não são esmolas distribuídas conforme a preferência partidária de quem ocupa um cargo e o cidadão não precisa votar no candidato certo para merecer dignidade. E Macaé não é um episódio isolado. Após a eleição de 2026, a deputada Índia Armelau incentivou empresários a verificar quem havia feito o “L”; a Justiça do Trabalho a proibiu de estimular perseguições. No Paraná, Jessicão pregou a demissão de petistas, enquanto Guilherme Kilter ad...