O Choro No Balcão Do Milagre
Flávio foi ao culto de Valdemiro e chorou. Cena forte. De um lado, o herdeiro político tentando transformar restrição judicial em martírio santo. Do outro, o apóstolo que já vendeu milagre com a naturalidade de quem anuncia promoção de liquidificador. No meio, Eduardo Cunha. Porque toda ópera bufa brasileira precisa de um baixo profundo saído do porão. Era Dia dos Pais, mas parecia Dia dos Padrinhos. Flávio não foi buscar consolo; foi buscar enquadramento: cabeça no ombro, câmera ligada, lágrima em HD e o velho roteiro - quando a política perde argumento, corre para o altar; quando perde vergonha, chama de perseguição. Valdemiro ofereceu o ombro, Flávio ofereceu o pranto, Cunha ofereceu a memória institucional do subsolo e o Brasil, pobre espectador de camarote quebrado, assistiu a mais um capítulo da teologia eleitoral do bolsonarismo: pecado vira narrativa, processo vira provação, oportunismo vira fé. No fim, ninguém sabe quem abençoou quem. Mas uma coisa ficou clara: quando a ...









