A CPMI do INSS resolveu sair do varejo e ir ao atacado. Depois de cruzar relatórios de inteligência financeira, o radar aponta para o entorno de Flávio Bolsonaro. Não é retórica: são datas, fluxos, coincidências incômodas. Quando o dinheiro some do bolso do aposentado e reaparece em contas “criativas”, alguém precisa explicar.
O fio que a comissão puxou atende por Willer Tomaz. Advogado influente, amigo íntimo, parceiro de trincheira jurídica. O mesmo nome que já apareceu em defesas sensíveis do clã, agora reaparece como elo financeiro em operações ligadas às entidades que sangraram beneficiários do INSS. Coincidência é um luxo que relatórios bancários não costumam comprar.
A CPMI do INSS quer ouvir sócios, aliados, todo mundo que orbitou essas movimentações. O método é simples e brutal: seguir o dinheiro, fechar o cerco, testar versões. A Polícia Federal já apontou transações atípicas; a comissão agora quer o desenho completo: origem, trânsito, destino.
Aqui não tem espetáculo moral. Tem engenharia financeira, cronologia precisa e perguntas que doem. Se o dinheiro desviado passou por escritórios amigos, alguém terá de explicar por que passou. Se beneficiou grupo político, alguém terá de responder por isso.
A narrativa da perseguição costuma morrer quando encontra extrato bancário. A CPMI puxou o fio: ou vem a trama inteira, ou alguém fica nu no final.
Credito: Escritor e advogado Julio Benchimol Pinto



















