O Estado Mínimo Termina No Portão De Casa
O bolsonarismo inventou uma nova doutrina econômica: o Estado mínimo para os outros e o Estado providência para os nossos. Lauro Jardim revelou que a mãe de Eduarda Campopiano, eleita pelo PL e conhecida por combater políticas de inclusão, recebe há pelo menos oito anos o Benefício de Prestação Continuada (BPC). E daí? A mãe tem todo o direito ao benefício, desde que preenchidos os requisitos legais. Não há fraude demonstrada. O escândalo é ideológico. Na casa dos outros, inclusão é privilégio, proteção social é suspeita e solidariedade tem cheiro de comunismo. Na própria, descobrem-se as maravilhas do artigo 203 da Constituição. É a meritocracia com porteiro eletrônico: quem está do lado de fora que se vire; quem está dentro pode chamar o Estado. O BPC não é vergonha. Vergonha é a seletividade moral de quem transforma a vulnerabilidade alheia em defeito e a familiar em direito. Na sociologia, chamamos isso de particularismo moral. No bolsonarismo, chama-se coerência. Afinal, par...









