Senador Carlos Viana Destinou Cerca de R$ 3, 6 Milhões em Emendas Parlamentares para Fundação Oasis da Igreja Lagoinha

 Tem coisa que explica muito do Brasil contemporâneo.

O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana, destinou cerca de R$ 3,6 milhões em emendas parlamentares para a Fundação Oasis, braço social da Igreja Batista da Lagoinha, associada ao pastor André Valadão.


Até aí, Brasil padrão. Emenda para projeto social ligado a igreja não é novidade no Congresso.


O detalhe interessante vem depois. O mesmo senador preside a Frente Parlamentar Evangélica do Senado - a chamada bancada evangélica - e também está à frente da CPMI que investiga um ambiente político e empresarial que tangencia esse mesmo circuito religioso. Segundo reportagem do Metrópoles, ele ainda tem atuado politicamente para blindar a Lagoinha dentro da comissão.


A defesa do senador é burocraticamente perfeita. As emendas seguiram a Constituição, passaram por prefeitura, conselhos e procedimentos administrativos. Tudo formal. No Brasil, aliás, quase tudo que dá problema também costuma estar formalmente dentro das regras.


A justificativa moral também é irretocável: igrejas fazem trabalho social relevante. Fazem mesmo.


O ponto delicado não é a fé de ninguém; é a engenharia política. Quando dinheiro público, base religiosa, liderança da bancada evangélica e presidência de uma comissão investigativa aparecem na mesma equação, a discussão deixa de ser religiosa e passa a ser institucional.


E o país segue tentando entender por que algumas CPIs nascem para investigar

enquanto outras parecem nascer com um instinto muito mais… pastoral.


Amém.


     Julio Benchimol Pinto

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