A Extrema Direita Brasileira Não Racha Ela Faz Reality Show

 A extrema direita brasileira não racha mais; ela faz reality show.


E o roteirista atende por Carlos Bolsonaro. Ele aparece, solta um “não começa com D… nem com N…” e some. Pronto. Está aberta a temporada de caça: todo mundo tentando adivinhar quem é o traidor da semana.



E aí entra o elenco.


Michelle Bolsonaro, que já vinha em atrito com parte do próprio bolsonarismo, virou suspeita número um nas rodinhas de WhatsApp. Não é de hoje: já tomou pancada pública, já respondeu, já pediu perdão aos enteados e manteve divergência política.


Ana Campagnolo, que tretou feio com Carluxo por causa da vaga ao Senado, também entra na dança. Chamou a situação de imaturidade, denunciou “gente da direita tentando aniquilar a própria direita” - basicamente descreveu um canibalismo político em câmera lenta.  


E não para aí.


O PL em Santa Catarina virou UFC eleitoral: live com xingamento, senador chamando colega de “desqualificado”, deputada saindo no meio da transmissão, gente ameaçando sair do partido… tudo isso por causa da candidatura do próprio Carluxo.  


Detalhe delicioso: o discurso oficial é “união”.


União onde? Na base do tiro amigo, da indireta cifrada e da paranoia coletiva?


Enquanto isso, Flávio Bolsonaro tenta se vender como líder da extrema direita - viaja, faz CPAC, posa de estadista internacional… e volta para casa ignorado pelo próprio núcleo familiar, com aliados brigando entre si e base desconfiando até do voto que ele mesmo deu no Senado.


É a extrema direita brasileira tentando governar o país enquanto não consegue governar nem o grupo da família.


E o mais fascinante é o método: ninguém acusa diretamente, ninguém assume nada, ninguém explica nada, mas todo mundo insinua.


É política por fofoca, estratégia por indireta, liderança por charada.


No fim, Carluxo pede união.


Claro. Depois de jogar gasolina, ele aparece com um copo d’água e grita: calma, gente.


O problema não é a falta de união, mas excesso de ego, de desconfiança e de disputa por herança política de um sobrenome que virou franquia.


E como toda franquia em decadência… os personagens começam a brigar entre si pelo controle da marca.


O público só assiste. Com pipoca.

     Júlio Benchimol Pinto

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