Fogo no Cabaré!
Sergio Moro resolve se aboletar no Partido Liberal achando que ia chegar como no tempo da toga: entra, senta e todo mundo bate continência.
Só que o Paraná não é vara federal; é balcão político. E lá quem manda já tem dono: Ratinho Júnior. Resultado? Prefeitos do PL fazendo fila na porta de saída, liderados por Marcel Micheletto, que basicamente disse: “o partido pode até querer, mas a gente não vai junto nessa fantasia”.
Tradução simultânea: Moro chegou sem tropa, sem base e sem noção do terreno. Política não é sentença; é correlação de forças. E nisso ele segue com a mesma habilidade que demonstrou quando resolveu virar ministro achando que controlaria um governo.
Enquanto isso, em São Paulo, Tarcísio de Freitas e Gilberto Kassab fazem aquele teatro elegante: sorriso pra foto, faca escondida no paletó. Kassab sai do governo, volta pela porta da frente da campanha e já avisa que quer sentar na cabeceira, mas Tarcísio finge que não ouviu quando o assunto é vice.
Resumo da ópera: no Paraná, o cabaré pegou fogo antes mesmo da banda começar. Em São Paulo, a orquestra está afinando - cada um com sua partitura, ninguém lendo a mesma música.
E no meio disso tudo, Moro segue acreditando que basta entrar em cena para virar protagonista.
Virou, sim. De comédia.
Júlio Benchomol Pinto



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