Poema de Nostalgia
Havia um tempo de fartura,
em que o amor tinha a minha altura
e a de quem mais se ajuntasse...
Um tempo de olhar domingueiro,
de quem desse o beijo primeiro,
ainda que fosse numa das faces.
O almoço à mesa: venham todos!
Se tem pingueiras, passa o rodo,
e vamos ver quem vai chegar.
De tantos risos, o teu engasgo
não há de ser nada — o vaso...
Voltemos a ver quem vem lá.
Passou o tempo, e umas rugas
se instalaram no lugar das pulgas,
porque tudo um dia passa.
Só as lembranças continuam domingueiras;
demos um jeito até nas pingueiras,
menos em mim, que não mais te abraça.
Achel Tinoco
#poesia



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