Hélio Lopes saiu do Rio de Janeiro Para Ser Candidato em Roraíma

 Hélio Lopes saiu do Rio e decidiu disputar por Roraima.

Sem trajetória, sem vínculo, sem história ali; só cálculo. Um movimento frio, desenhado em mesa, como quem rearranja peças num tabuleiro onde o eleitor entra por último.


E o mais grave é que isso deixou de ser exceção.


Carlos Bolsonaro construiu toda a vida política no Rio e, quando a conta não fechou, mudou para Santa Catarina. Jair Renan apareceu em Balneário Camboriú e dali já saiu vereador. Eduardo Bolsonaro cresceu politicamente entre Rio e Brasília e se elegeu por São Paulo. Tarcísio, tecnocrata de carreira federal, desembarcou em São Paulo às vésperas da eleição e virou governador. Moro tentou repetir a fórmula e só recuou quando a Justiça interveio.


Não se trata de um caso isolado, nem de um desvio episódico. Há um padrão claro de deslocamento estratégico, de ocupação de espaços onde há oportunidade eleitoral. A política vira geografia utilitária; o país, um mapa de conveniências.


E aí vem o insulto.


Porque um estado não é um endereço a ser preenchido em formulário, não é uma vaga em aberto para quem perdeu espaço em casa, não é cenário neutro para carreiras em trânsito.


Roraima tem história, tem conflitos próprios, tem gente que vive as consequências das decisões tomadas em Brasília - inclusive por muitos desses que agora chegam como se sempre tivessem pertencido ali.


Tratar isso como detalhe burocrático é rebaixar a própria ideia de representação.


E quando esse tipo de prática se repete com tamanha desenvoltura, sobretudo em setores da direita que se dizem guardiões de valores, raízes e identidade nacional, o contraste salta aos olhos.


Raiz não se transfere por cartório.


E Hélio Lopes, ao tentar se reinventar eleitoralmente em Roraima, acaba expondo exatamente o que esse movimento é: não um gesto de aproximação com o estado, mas um exercício de oportunismo político em estado puro.


        Julio   Benchimol Pinto

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