Washington Fez Uma Escolha, E Escolhas Dizem Mais do Que Discursos
Donald Trump colocou Darren Beattie como conselheiro sênior para a política dos EUA em relação ao Brasil.
Beattie não é um diplomata tradicional. Foi demitido da Casa Branca em 2018 após participar de conferência com nacionalistas brancos. Publicou que homens brancos competentes deveriam estar no comando se quisermos que as coisas funcionem. Flertou com teorias conspiratórias sobre o 6 de janeiro. Atacou publicamente ministro do STF brasileiro. Esse é o currículo político-ideológico que chega agora ao coração da formulação da política americana para o Brasil.
Diplomacia é mensagem; nomeação é mensagem. Quando a Casa Branca escolhe um perfil técnico, o sinal é estabilidade; quando escolhe um ideólogo combativo, o sinal é outro.
Trump conhece o simbolismo das suas escolhas. Lula também conhece o peso dos gestos. A relação Brasil–EUA passa por comércio, tecnologia, defesa, liberdade de expressão, regulação de plataformas, Amazônia, Ucrânia, China. Em todos esses tabuleiros, o conselheiro que filtra informações e formula relatórios importa.
Política externa não é feita apenas de presidentes sorrindo diante de bandeiras; é feita de quem escreve as notas, molda os memorandos, define o enquadramento.
Beattie é enquadramento, e enquadramento muda o jogo.
Julio Benchimol Pinto



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