Quando o castelo desaba, até banqueiro redescobre as virtudes da Colaboração
Daniel Vorcaro agora cogita ampliar a delação para incluir banqueiros e empresários ligados às operações que sustentaram o grupo Master antes da liquidação. Estamos falando de algo na casa de R$ 20 bilhões em precatórios, imóveis, mineração, energia, fundos e promessas de ganhos futuros.
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em 18 de novembro de 2025 e, em 17 de março de 2026, converteu também o RAET do Banco Master Múltiplo em liquidação extrajudicial. 
E há um detalhe político que não pode ser varrido para debaixo do tapete: boa parte dessas engrenagens foi montada a partir do fim do governo Bolsonaro. Isso importa. Porque o bolsonarismo nunca foi apenas arruaça ideológica, golpismo de palanque e fanatismo digital; foi também ambiente moral de vale-tudo, desinstitucionalização, esperteza agressiva e celebração da pilantragem com pose de coragem empreendedora.
Enquanto a roda girava, chamavam de ousadia; quando quebrou, apareceu o vocabulário da transparência, da governança e da colaboração. O de sempre: privatiza o lucro, socializa o estrago e depois chama a perícia.
Se essa delação vier com nomes, cifras e circuitos, talvez o país descubra que o problema não era um aventureiro solitário; era um ecossistema inteiro - gente demais lucrando,achando bonito e chamando roleta de alta engenharia financeira.
No Brasil, o bolsonarismo fez escola até onde muitos fingem não olhar: no desmonte institucional, na brutalização da vida pública e também na naturalização de uma elite sem freio, sem escrúpulo e sem vergonha.
Julio Benchimol Tinoco



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