Oscar De Melhor Cortina De Fumaça
Aparece um áudio atribuído a Vorcaro acusando o documentário de Lula de receber R$ 30 milhões.
Oliver Stone desmente. A Polícia Federal e a PGR afirmam que não receberam o suposto depoimento nem os documentos. No celular do banqueiro, nenhuma prova do pagamento.
Corta para Dark Horse, o filme sobre Jair Bolsonaro.
Aqui, quem aparece nos áudios é o próprio Flávio Bolsonaro, cobrando dinheiro de Vorcaro. Negociou R$ 134 milhões. Documentos apontam cerca de R$ 60 milhões em repasses. A Polícia Federal investiga.
Eis o truque: diante de uma negociação documentada envolvendo o filho, lança-se uma acusação sem comprovação contra o adversário.
É o velho método de gritar “PEGA LADRÃO!” enquanto se tenta esconder a própria carteira.
Mas há uma diferença monumental entre os dois roteiros: contra Lula, uma acusação à procura de provas; no caso de Flávio, provas à procura de explicações.
Oliver Stone ganhou três Oscars fazendo cinema. O bolsonarismo merece um pela direção de fumaça.
O problema é que, dessa vez, o filme do papai deixou rastros bancários. E nenhum roteirista consegue apagar um extrato com efeitos especiais.
– Julio Benchimol Pinto



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