Um Mandato Para Quê, Flavio?
Flávio Bolsonaro anda repetindo que “só precisa de um mandato”. Que modéstia comovente. É praticamente um monge do poder.
Só quatro aninhos.
Tempo suficiente, por exemplo, para tentar indultar o próprio pai; participar da escolha de até quatro ministros do STF; promover reformas destinadas a restringir poderes da Corte; e governar com um Senado em que o impeachment de ministros do Supremo virou pauta concreta. Hoje, reportagem do UOL registrou integrantes da campanha tratando justamente um impeachment no STF como possível “marco” de governo.
E depois?
Flávio propõe acabar com a reeleição presidencial.
Magnífico. É a versão constitucional do sujeito que entra numa sala dizendo:
“Fiquem tranquilos. Só preciso ficar aqui quatro anos.”
Não é propriamente o tempo que tranquiliza, mas o que se pretende fazer com ele. Porque quatro anos podem passar depressa; as consequências, nem tanto.
Quando um candidato insiste que “só precisa de um mandato”, a pergunta adulta não é se ele está demonstrando desapego ao poder. É outra:
UM MANDATO PARA FAZER O QUÊ - E DEIXAR O QUÊ PARA TRÁS?
A História recomenda alguma cautela com políticos que chegam prometendo que vão precisar das chaves só por um instantinho.
- Julio Benchimol Pinto



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