A Rockbridge Já Não Cabe Na Palavra : "Coincidência"
Primeiro veio a Rockbridge Brazil LLC, aberta em Wyoming em maio. Depois apareceram documentos confidenciais destinados a Flávio Bolsonaro: um conselho com 23 empresários, 19 estrangeiros, pensado expressamente como “ferramenta de campanha” e “plataforma de governo”.
Agora a história ganhou endereço, sala e planilha.
A Folha ouviu seis pessoas próximas à campanha. Segundo elas, Pedro Sang - apresentado nos documentos como CEO da Rockbridge Brasil - frequentava o QG de Flávio em São Paulo, fazia relatórios de pesquisas e redes sociais, participava de reuniões e ajudou até a encontrar a sede. Seus serviços não aparecem nas contas eleitorais consultadas pelo jornal. Ele nega ter trabalhado oficialmente para a campanha.
Tallis Gomes, integrante da Rockbridge nos EUA, contou publicamente que conversou “dezenas de vezes” com Flávio sobre IA, energia e estratégia econômica, e que o candidato lhe pedia propostas por escrito para colocar no plano de governo.
A Rockbridge americana não é um clube de bridge. É uma rede criada por J.D. Vance e Chris Buskirk para financiar infraestrutura política conservadora - mídia, pesquisas e mobilização eleitoral.
A campanha nega dinheiro ou estrutura estrangeira. A Rockbridge diz que o projeto brasileiro morreu antes de funcionar. E ainda não há prova pública de financiamento estrangeiro ilegal.
Mas a pergunta política ficou muito maior: quanto de influência estrangeira precisa aparecer - empresa aberta, documentos, assessores, relatórios, reuniões e propostas para programa de governo - antes de deixarmos de chamar tudo de mera aproximação ideológica?
A legislação brasileira, aliás, não olha apenas para PIX: serviços com valor econômico também entram na contabilidade eleitoral.
Soberania não serve apenas para discurso de palanque, mas também para perguntar quem entra pela porta dos fundos do poder, o que leva na pasta e o que espera receber depois.
- Julio Benchimol Pinto



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