Fecharam As Portas E Abriram Uma Pergunta

 

A dois dias da eleição brasileira, os Estados Unidos suspenderam o atendimento na embaixada e nos consulados por uma ameaça de segurança não detalhada. A Austrália acompanhou o movimento. A PF foi às ruas, cumpriu mandados em São Paulo e no DF - e, até agora, não encontrou prova concreta de plano de ataque nem ligação dos investigados com organizações criminosas. 


Então chegamos a uma situação diplomaticamente esquisita: a ameaça foi grave o bastante para fechar representações americanas, mas não grave o bastante para ser publicamente explicada.


E o relógio não ajuda.


Quarenta e oito horas antes de uma eleição presidencial disputadíssima, qualquer gesto de Washington produz efeito político, pretendido ou não. Ainda mais quando a Abin acaba de relatar a franceses e alemães suspeitas de interferência eleitoral dos EUA e da Rússia. 


Pode existir uma ameaça real? Claro. Inteligência trabalha justamente com riscos antes que virem cadáveres.


Mas há uma pergunta que continua de pé: se o perigo era tão extraordinário, por que a explicação é tão extraordinariamente vaga?


Conspiração não se presume. Segurança também não transforma governo estrangeiro em oráculo.


No momento, temos uma embaixada fechada, uma investigação aberta, nenhuma ameaça comprovada pela PF e um silêncio americano fazendo mais barulho do que talvez Washington imaginasse.


Em diplomacia, até porta fechada manda recado.


- Julio Benchimol Pinto

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