Márcio Canella, 2° Deputado Estadual Mais Votado Do Rio De Janeiro E Delegado Marcus Amim São Presos Pela Policia Federal
Foto: Divulgação
Na manhã desta quinta-feira (15) a Polícia Federal (PF) deflagrou, a oitava fase da Operação Unha e Carne. A ação resultou na prisão do deputado estadual eleito e ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil) — segundo parlamentar mais votado para a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) —, e do delegado Marcus Vinicius Amim Fernandes, ex-secretário estadual de Polícia Civil.
Canella foi detido por agentes federais na sua residência, localizada em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio.
As prisões preventivas foram decretadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e representam um desdobramento direto da 6ª etapa da operação, realizada em julho deste ano, quando Canella e Amim já haviam sido alvos de mandados de busca e apreensão.
A investigação teve início a partir de um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) encaminhado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) à Polícia Federal. O documento revelou que a organização criminosa movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos.
O objetivo da força-tarefa é desarticular um esquema armado que utilizava uma vasta rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro como plataforma de lavagem de dinheiro. De acordo com a PF, a estrutura criminosa contava com a "participação de agentes públicos e articulação político-institucional".
Além dos mandados de prisão, o ministro Alexandre de Moraes determinou o sequestro de bens e valores, além da suspensão das atividades econômicas de 112 empresas investigadas no esquema — a maioria delas, postos de gasolina.
Operação também cumpre mandado em cidades como Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo, Petrópolis, Nova Iguaçú, Angra dos Reis e Armação de Búzios
Lista dos alvos com prisão decretada:
Márcio Correia de Oliveira (Márcio Canella): Deputado estadual eleito e ex-prefeito de Belford Roxo;
Marcus Vinicius Amim Fernandes: Delegado e ex-secretário de Polícia Civil do RJ;
Pablo Jukia Felix Ferreira (Pablo Russo): Inspetor da Polícia Civil;
Christiano Gaspar Fernandes;
Giovanni Gaspar Fernandes;
José Carlos Alves de Souza Júnior.
Os investigados responderão, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de:
Organização criminosa armada;
Lavagem de dinheiro;
Corrupção ativa e passiva;
Violação de sigilo funcional;
Venda ilegal de combustíveis e formação de cartel;
Contratação direta ilegal.
Outras acusações ainda poderão surgir no decorrer das apurações.
As apurações sobre a rede de 96 postos de combustíveis no Grande Rio ganharam forte repercussão em julho, durante a 6ª fase da Unha e Carne. Na ocasião, Márcio Canella chegou a ser preso em flagrante após os policiais encontrarem um fuzil dentro de seu carro.
Esse episódio deu origem à 7ª fase da operação, deflagrada no mês seguinte, que culminou na prisão do vereador carioca Jorge Canella (União Brasil) por posse irregular de arma de fogo de uso restrito. Jorge não tem parentesco de sangue com Márcio, mas adotou o sobrenome do padrinho político.
A operação está inserida no âmbito da Força-Tarefa Missão Redentor II, iniciativa coordenada pela Polícia Federal com o objetivo de desarticular organizações criminosas e investigar a infiltração de agentes públicos com facções no estado.
A ação atende às diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal na ADPF 635 (conhecida como a ADPF das Favelas). O desdobramento da operação foi objeto de reunião recente entre a direção-geral da PF e o ministro Alexandre de Moraes, no STF.
Denise Machado

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