Na segunda-feira, Flávio jurou que ficaria no Brasil e entregaria os passaportes. Na terça, atravessou a fronteira com a Argentina usando o italiano. Na quarta, desembarcou em Miami. Na sexta, apareceu numa live para explicar:
“Eu não saí do Brasil, eu saí pelo Brasil.”
Ah, bom! Era uma missão patriótica! Tiradentes enfrentou a forca; Flávio enfrentou o check-in. Dom Pedro gritou “Independência ou morte!"; Flávio perguntou: “Janela ou corredor?”.
E ainda proclamou: “Eu posso ser tudo, menos burro”.
Concordo! O burro, pelo menos, não pula a cerca e depois grava um vídeo dizendo que fugiu para salvar a fazenda.
Explicou também que deu “um passo atrás para dar dois à frente”. Considerando que o primeiro terminou na Flórida, mais dois e nosso herói estará organizando a resistência nas Bahamas, de preferência com vista para o mar e café da manhã incluído.
Agora quer disputar outra eleição antes de 2030. Perfeito! Campanha pelo Zoom, comício no lounge do aeroporto, ministério da Defesa no frigobar e gabinete presidencial ao lado da piscina.
O sujeito conseguiu uma façanha histórica: tornou-se o primeiro exilado que não foi expulso do país. Foi PROIBIDO de sair - e saiu!
E agora quer medalha de coragem, milhas em dobro e aplausos da pátria agradecida.
O bolsonarismo acaba de atualizar seu lema:
DEUS, PÁTRIA, FAMÍLIA E PORTÃO DE EMBARQUE!
- Julio Benchimol Pinto

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