Salvador, 25 de outubro. Dia de eleição, dia em que cada minuto perdido pode significar um voto que não chega à urna.
O Procon-BA encontrou 252 ônibus aptos a circular, mas parados em três garagens.
O prefeito Bruno Reis (União Brasil) reconheceu que 75 veículos ficaram retidos. A explicação? Adesivos eleitorais.
O secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, nomeado pelo prefeito, reconheceu os transtornos e pediu desculpas. Segundo o Metrópoles, estava em Paris.
Desculpas não transportam eleitores.
A gravidade foi tamanha que o TRE-BA determinou a circulação integral da frota, com gratuidade, estabeleceu multa de R$ 1 milhão por hora de descumprimento e expediu ordem de prisão em flagrante contra o secretário.
A Prefeitura afirma que normalizou o serviço. É preciso verificar quando e em que condições.
Há, ainda, relatos sobre interrupção de semáforos, não confirmados independentemente. A Transalvador deve esclarecer a ocorrência e apresentar os registros técnicos.
Deve haver transparência: registros de GPS, horários de saída, ordens às concessionárias e justificativas documentadas para cada retenção.
Não afirmo que houve sabotagem deliberada; afirmo que houve ônibus parados, eleitores prejudicados e uma intervenção excepcional da Justiça Eleitoral.
Se houve crime, que seja apurado e punido; se houve incompetência, que seus responsáveis respondam por ela.
Um adesivo pode ser retirado de um ônibus; já o direito de votar não pode ser retirado de um cidadão.
E que ninguém se esqueça: o voto tem hora para acontecer, mas responsabilidade pública não tem prazo para desaparecer.
- Julio Benchimol Pinto

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