Lula lançou um desafio: abrir seus sigilos bancários e telefônicos, os de seus cinco filhos, e exigir que Flávio Bolsonaro faça o mesmo com os familiares e as empresas. A proposta prevê uma entrega simultânea dos dados. Até sua concretização, é um compromisso que precisa ser cobrado.
Em Marabá, Flávio prometeu guerra aos “narcoterroristas”, prisão mínima de oito anos para quem furta celulares e castração química para estupradores.
Um detalhe: desde maio, a lei brasileira já prevê pena de quatro a dez anos para o furto de celular.
Mas há uma questão que merece atenção especial.
O ladrão que foge com um celular é visível. Muito mais difícil é alcançar quem financia organizações criminosas, lava seus lucros, corrompe agentes públicos e compra proteção política.
A violência aparece nas ruas; já sua engrenagem financeira prefere a discrição.
Combater o crime exige prender criminosos, proteger vítimas, desmontar redes de corrupção e seguir o dinheiro. Nenhuma dessas tarefas, porém, pode ser substituída por frases de efeito.
O desafio dos sigilos precisa valer para ambos os candidatos - com documentos verificáveis, autorizações válidas e fiscalização independente. Promessa de transparência ainda não é transparência; promessa de punição ainda não é segurança.
A democracia não pode condenar por suspeitas nem absolver por discursos.
O crime organizado tem armas, chefes, negócios e contabilidade. Quem pretende combatê-lo precisa estar disposto a investigar tudo isso, inclusive quando o dinheiro se aproxima do poder.
- Julio Benchimol Pinto

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