No debate da Band, Flávio Bolsonaro descobriu uma curiosa utilidade para o espaço atrás de Lula: transformar o enquadramento do adversário em palco para as próprias gesticulações.
Balançou a cabeça, fez sinais negativos, tentou interferir. A mediadora precisou adverti-lo.
Pablo Marçal havia anunciado que o treinara. Não sabemos o conteúdo das aulas. A semelhança da coreografia, porém, chamou a atenção.
Mas o que merece uma reprise são as perguntas.
Por que Flávio votou contra a ampliação da licença-maternidade? Não apresentou justificativa específica.
Qual foi o destino dos recursos envolvidos no financiamento de Dark Horse? Ofereceu a Lula um convite para assistir ao filme.
Por que flexibilizar a rastreabilidade das munições? A pergunta ficou sem resposta direta.
Adotaria o modelo econômico de Javier Milei? Preferiu falar de outros governos latino-americanos.
E então veio o desafio mais concreto da noite.
Lula propôs que ambos abrissem os sigilos bancários e telefônicos, inclusive das suas famílias, e entregassem os documentos ao STF e ao TSE.
Flávio declarou não ter nada a esconder, mas não aceitou expressamente a proposta.
Há uma diferença entre proclamar transparência e assumir um compromisso verificável.
Enquanto isso, a Agência Lupa identificava afirmações falsas, exageradas e sem sustentação suficiente no discurso do senador.
A câmera registrou os gestos, a imprensa registrou as perguntas, os documentos permitem verificar as respostas.
E o debate terminou sem que várias delas fossem esclarecidas.
O espetáculo acabou; o direito de perguntar, não.
- Julio Benchimol Pinto

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