No domingo, Lula derrotou Flávio Bolsonaro por 4,43 milhões de votos.
Na segunda-feira, Eduardo Bolsonaro gravou um vídeo em inglês pedindo aos estrangeiros que não reconheçam a eleição brasileira e pressionem por sua anulação.
É fascinante esse patriotismo de exportação!
A família que passou anos enrolada na bandeira nacional agora procura em Washington quem possa desautorizar a vontade dos brasileiros.
Eduardo afirma que a vitória de Lula é “estatisticamente impossível”.
Sua matemática tem um pequeno defeito: pressupõe que eleitores sejam propriedade dos candidatos derrotados, transferível mediante declaração de apoio.
Esquece a redução da abstenção, os novos votos válidos e, sobretudo, a inconveniente liberdade de cada cidadão pensar por conta própria.
Flávio, por sua vez, denuncia a prorrogação da votação. Curiosamente, sua própria campanha também havia solicitado a ampliação do horário, embora em municípios específicos.
A decisão judicial pode e deve ser examinada. Fraude, entretanto, exige provas, não ressentimentos.
E há uma diferença colossal entre recorrer à Justiça brasileira e pedir a governos estrangeiros que se sobreponham à soberania popular.
O nacionalismo bolsonarista revela, assim, sua extraordinária elasticidade: a pátria é sagrada enquanto a família vence; quando perde, a soberania embarca no primeiro voo para Miami.
É o velho complexo colonial fantasiado de patriotismo.
Afinal, para os Bolsonaro, o Brasil parece ser uma capitania hereditária: se o povo não confirma a sucessão dinástica, convocam-se os antigos senhores da metrópole.
Mas há uma notícia desagradável para essa aristocracia de ocasião: OBrasil é uma República, Washington não é nosso tribunal eleitoral e a vontade de 64 milhões de brasileiros não depende de visto americano.
- Julio Benchimol Pinto

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