Há cinco dias, o União Brasil apostava em Flávio Bolsonaro. Agora, prepara-se para liberar seus integrantes a ocupar cargos no quarto governo Lula.
A velocidade da conversão impressionaria São Paulo no caminho de Damasco. Mas, no Centrão, o milagre costuma acontecer na direção da Esplanada dos Ministérios.
Lula parece ter aprendido a lição. Pretende renovar o núcleo do Planalto e exigir algo quase subversivo em Brasília: que os partidos beneficiados com ministérios efetivamente apoiem o governo no Congresso.
Com 121 deputados e 29 senadores do PL, construir uma maioria é indispensável. Mas há uma diferença colossal entre negociar uma coalizão democrática e terceirizar o governo aos especialistas em ganhar cargos e perder compromissos.
O Centrão tem todo o direito de mudar de posição. Terá também de explicar aos eleitores o que pretende fazer com o poder que reivindica.
E Lula precisa preservar aquilo que tornou possível sua vitória: uma frente democrática mobilizada, um programa político e milhões de brasileiros que foram às urnas para derrotar a extrema direita.
Afinal, o povo reelegeu Lula para governar o Brasil. Seria um extraordinário estelionato político se o prêmio pela derrota de Flávio fosse entregar aos seus antigos aliados as chaves do Planalto.
- Julio Benchimol Pinto

Comentários