A procuradora municipal de Macaé, Renata Pimentel Ribeiro, escreveu:
“Não vou fazer mais política pública pra poder ajudar esse tipo de gente.”
Aconselhou empresários a não contratar artistas, nordestinos, mineiros e pessoas pobres. E arrematou:
“Este povo vai continuar passando fome pegando água de bica.”
Enquanto isso, ela seguiria, em suas palavras, “linda maravilhosa”.
Que abismo moral é esse em que a fome de um brasileiro vira motivo de deboche para quem recebe dinheiro público?
Uma procuradora não é proprietária do Estado, políticas públicas não são esmolas distribuídas conforme a preferência partidária de quem ocupa um cargo e o cidadão não precisa votar no candidato certo para merecer dignidade.
E Macaé não é um episódio isolado. Após a eleição de 2026, a deputada Índia Armelau incentivou empresários a verificar quem havia feito o “L”; a Justiça do Trabalho a proibiu de estimular perseguições. No Paraná, Jessicão pregou a demissão de petistas, enquanto Guilherme Kilter aderiu à mesma campanha.
Perderam nas urnas; agora querem punir o eleitor no contracheque.
Isso não é defesa da liberdade; é a pretensão de transformar emprego em prêmio por obediência política e desemprego em castigo pelo voto.
A procuradora pediu desculpas; a Polícia Civil abriu investigação. Que haja apuração rigorosa, devido processo e responsabilização na medida da lei.
Porque a democracia não termina quando as urnas se fecham. Ela continua no emprego, no serviço público e, sobretudo, no direito de ninguém passar fome por pensar diferente.
A urna é secreta; a dignidade não pode ser condicional.
#Democracia #EstadoDeDireito #AssédioEleitoral #NãoÀDiscriminação
- Julio Benchimol Pinto

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