Série: O Macho Em Pânico
Feminicídio, poder e a guerra das masculinidades
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2 - O FEMINICÍDIO TEM ENDEREÇO
O feminicídio brasileiro raramente começa num beco escuro com um desconhecido; começa em casa.
Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o país registrou 1.568 feminicídios em 2025. Quase dois terços das vítimas eram mulheres negras. A maioria foi morta pelo companheiro ou ex-companheiro. Em cerca de dois terços dos casos, o cenário do crime foi a própria residência.
O assassino costuma conhecer a rotina, os medos, os filhos e as formas de isolamento da vítima. Muitas vezes, já ameaçava, controlava dinheiro, telefone, roupas, amizades e deslocamentos.
A separação pode funcionar como gatilho porque rompe uma relação imaginada como propriedade: a mulher diz “acabou”; o agressor escuta “você perdeu o comando”.
Por isso, feminicídio envolve Direito Penal, mas começa muito antes do cadáver e do inquérito; começa na cultura que confunde amor com posse, proteção com vigilância e autoridade masculina com licença para punir.
O feminicida não enlouqueceu de paixão; ele levou às últimas consequências uma pedagogia social do domínio.
- Julio Benchimol Pinto



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