Flávio, O Quadribatizado
Há gente que renova passaporte; Flávio Bolsonaro renova batismo - o homem já foi batizado quatro vezes: uma quando jovem; outra no Jordão, com o pai; outra em Brasília; e, em 2026, voltou ao Jordão para “renovar a aliança com Deus”.
Aparentemente, no bolsonarismo, a salvação vem com programa de fidelidade: no quinto mergulho ganha uma água benta grátis.
Flávio conta que só passou a viver intensamente a fé no fim de 2022. Desde então, curiosamente, sua devoção cresceu na mesma velocidade de sua ambição presidencial: vieram cultos, pastores, unções, Jordão, reconciliações públicas e peregrinações pelas grandes denominações evangélicas.
E apareceu o milagre eleitoral: em agosto, o Datafolha registrou Flávio com 62% entre os evangélicos, contra 29% de Lula.
Deus escreve certo por linhas tortas; o marketing eleitoral prefere escrever por pesquisas.
Agora Flávio busca Malafaia, Assembleia de Deus, Quadrangular, Universal e quem mais puder ajudar a transformar púlpito em palanque e rebanho em eleitorado.
Em uma igreja, foi ungido enquanto o pastor pedia publicamente a Deus que ele fosse eleito presidente - é uma intimidade extraordinária com o Todo-Poderoso: já estão até discutindo a sucessão presidencial.
Nikolas Ferreira encontrou o nome perfeito para a fase anterior do amigo: “transcristão” - acreditava no cristianismo, mas não praticava. Agora pratica tanto que daqui a pouco precisará de salva-vidas no rio Jordão.
Não tenho a menor ideia se a fé de Flávio é sincera. Isso compete a ele e, segundo os interessados, a Deus. O que podemos observar daqui de baixo é mais simples: quanto mais perto Flávio chega do Planalto, mais perto aparece de um altar.
Aleluia. E urna.
- Julio Benchimol Pinto



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