O Powerpoint Virou Santinho
Na convenção que lançou Sergio Moro ao governo do Paraná e Deltan Dallagnol ao Senado, os dois posaram como dupla sertaneja da República de Curitiba: camisetas combinando e o refrão “Nós prendemos Lula. O STF soltou.”
O “nós prendemos” vale por mil mensagens da Vaza Jato. Num processo penal minimamente republicano, o Ministério Público acusa e o magistrado julga. Quando procurador e juiz reivindicam juntos a autoria de uma prisão, a distância institucional desaparece e o projeto político surge estampado no peito.
A frase também falsifica o desfecho. Lula saiu da prisão em 2019 após o STF decidir, para todos os condenados, que a execução da pena dependia do trânsito em julgado. Em 2021, o Supremo anulou as condenações porque a 13ª Vara Federal de Curitiba era incompetente e reconheceu a parcialidade de Moro no processo do triplex. “Brasília soltou” é a versão de camelô para uma derrota jurídica muito mais constrangedora.
Moro deixou a magistratura para ser ministro de Bolsonaro, virou senador e agora disputa o governo do Paraná. Dallagnol deixou o MPF, elegeu-se deputado, teve o registro cassado por decisão unânime do TSE e agora tenta chegar ao Senado.
A política estava no roteiro inteiro. Agora ganhou legenda partidária, palanque e figurino.
A toga era apenas o primeiro uniforme.
- Julio Benchimol Pinto



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