A Polícia Federal Encontrou Um "Hub Financeiro, Patrimonial e Logístico " A Serviço De Políticos
A PF encontrou um “hub financeiro, patrimonial e logístico” a serviço de políticos. Traduzindo do juridiquês: um balcão premium para dinheiro, mansões, aviões, funcionários, operadores e silêncio.
O personagem central é o advogado Willer Tomaz. Segundo a investigação, empresas ligadas a ele repassaram mais de R$ 11 milhões à mulher do senador Weverton Rocha e compraram por R$ 6 milhões a casa onde o parlamentar vive no Lago Sul.
O senador teria negociado o imóvel. A escritura, porém, ficou com uma empresa de Willer. A PF quer saber quem comprou, quem pagou e quem realmente manda na casa. Pequenos detalhes que costumam incomodar quando a campainha toca às seis da manhã.
No escritório, apareceu até uma máquina capaz de contar 1.200 notas por minuto. Ela sozinha não prova crime; apenas revela uma preocupação administrativa com velocidade que faria inveja ao Banco Central.
Willer nega envolvimento nas fraudes do INSS. Weverton terá direito de se explicar. Presunção de inocência continua valendo, inclusive quando os números chegam vestidos de escândalo.
E Flávio Bolsonaro?
Willer já viajou com ele à Flórida e sacou cerca de R$ 1,2 milhão em dinheiro vivo num cassino de luxo. Isso não prova participação de Flávio no esquema do INSS, mas transforma a velha fotografia entre amigos numa pergunta política perfeitamente legítima.
Willer parece ter cultivado relações da base governista ao bolsonarismo. O dinheiro brasileiro, sempre ecumênico, supera divergências ideológicas com uma facilidade comovente.
A PF ainda precisa provar sua tese, mas já surgiu uma fauna conhecida: o político usufrui, a empresa compra, a mulher recebe, o amigo paga e ninguém sabe explicar por que o patrimônio vive uma vida independente do proprietário.
No Brasil, até a lavagem parece ter serviço de concierge.
- Julio Benchimol Pinto



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