O Câncer Não Espera o Governo Pagar A Conta
Em Roraima, há pacientes esperando cirurgias enquanto contratos travam, pagamentos atrasam, equipes somem e procedimentos são cancelados.
Na planilha, é “gestão”; no corpo humano, é outra coisa: o tumor cresce, a doença avança, a janela cirúrgica pode fechar.
Em julho, cirurgias ortopédicas do HGR chegaram a ser suspensas por inadimplência. Médicos já denunciaram atrasos. Pacientes relatam remarcações, internações intermináveis e procedimentos adiados por falta de equipe, material ou estrutura.
Enquanto isso, o Governo de Roraima anuncia mutirões e milhares de cirurgias: na propaganda, a máquina funciona; no corredor do hospital, gente espera - e alguns não podem esperar.
A Constituição diz que saúde é direito de todos e dever do Estado; não diz: “desde que o contrato esteja em dia”.
Se o Estado não consegue operar com sua equipe, contrate legalmente; se não consegue contratar, transfira; se a rede pública não dá conta, use a rede privada - o que não pode é transformar burocracia em prognóstico.
Porque uma cirurgia adiada pode ser apenas um número para a Administração, mas para quem carrega um tumor pode ser a diferença entre viver e morrer.
- Julio Benchimol Pinto



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