Os Bilionários De Deus
4 - QUANDO A IGREJA APRENDEU A ELEGER
Durante muito tempo, o pastor dizia: “Vote naquele homem.” A Igreja Universal aperfeiçoou o método: passou a organizar quem seria “aquele homem”.
Ari Pedro Oro já demonstrava, há mais de duas décadas, a extraordinária capacidade eleitoral da Universal. Depois, Claudia Cerqueira deu a um estudo acadêmico um título quase indecentemente preciso: “Igreja como partido”.
A Universal desenvolveu um sistema de candidaturas oficiais, coordenação eleitoral e mobilização dos fiéis que reduzia um dos maiores problemas da política brasileira: candidatos do mesmo grupo roubando votos uns dos outros. Isso tem nome: organização.
Depois veio o Republicanos - e a relação entre religião e política atingiu outro estágio.
Já não estamos falando simplesmente de um pastor conservador dando opinião sobre aborto ou drogas; estamos falando da capacidade de transformar estrutura religiosa em capacidade organizada de representação política.
E há um detalhe que destrói outra explicação simplória: a Universal já esteve próxima de Lula, Dilma e Bolsonaro.
Portanto, existe ideologia, mas existe também algo muito menos celestial: interesse institucional.
Deus é eterno; coalizão de governo, nem tanto.
- Julio Benchimol Pinto



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