O TSE Tem Presidente; O Bolsonarismo Ainda Procura Maioria
Nunes Marques e André Mendonça chegaram ao comando do TSE com uma coincidência biográfica impossível de ignorar: ambos foram escolhidos por Jair Bolsonaro para o STF.
Coincidências, porém, começaram a se acumular também nos votos.
Mendonça negou liminar contra posts de Flávio Bolsonaro e Marcelo Queiroga que associavam o PT ao crime organizado. O plenário virtual respondeu: 5 a 2 pela remoção. Cinco ministros entenderam que aquilo ultrapassava os limites da crítica política. Mendonça ficou vencido.
E Nunes Marques? Pediu vista. Depois de formado o 5 a 2. Uma espécie de VAR acionado quando o estádio inteiro já viu o gol.
O episódio se soma a outros recentes em que os dois ministros adotaram posições favoráveis a teses ou interesses da direita bolsonarista e encontraram resistência no colegiado.
Isso não prova conspiração, aparelhamento nem obediência a Bolsonaro. Ministro não perde independência porque foi indicado por um presidente, e divergência jurídica existe.
Mas independência judicial também não concede invisibilidade. Quando decisões sucessivas produzem vantagens para o mesmo campo político, o padrão merece escrutínio público, especialmente durante uma eleição.
E eis a beleza institucional da história: Bolsonaro indicou Nunes Marques, Bolsonaro indicou André Mendonça, Nunes preside o TSE, Mendonça é o vice - só esqueceu de indicar os outros cinco.
No TSE, pelo menos até agora, 5 a 2 continua valendo mais que pedigree.
- Julio Benchimol Pinto



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