A Pergunta Que Lula Não Precisou Responder
Nas sabatinas da Globo, perguntaram sobre dívida, corrupção, segurança, urnas, golpe, anistia, autoritarismo.
Miriam Leitão percebeu um detalhe extraordinário: Lula foi o único que não precisou ser perguntado se respeitaria a democracia.
Pode-se criticar Lula por muita coisa. Eu critico. Errou fatos na própria entrevista, deu respostas ruins e deve explicações sobre seu governo.
Mas ninguém precisou perguntar:
- Se perder, aceitará?
- Tentará permanecer no poder?
- Considera legítima uma ruptura?
- Vai obedecer às instituições?
Com Flávio Bolsonaro, foi preciso perguntar sobre as urnas. Ele prometeu respeitar o resultado - embora tenha evitado responder diretamente o que faria se perdesse - e admitiu ter divulgado uma mentira sobre sua fabricação. Ao mesmo tempo, negou a tentativa de golpe do pai e prometeu anistia aos envolvidos no 8 de Janeiro.
Renan Santos chegou a dizer que desobedeceria decisões do STF que julgasse ilegais.
E aí está algo que a normalidade costuma esconder: democracia só parece assunto banal enquanto não aparece alguém disposto a torná-la extraordinária.
Não voto em Lula porque o considere infalível. Ele não é. Voto porque entre candidatos dos quais preciso discordar e candidatos dos quais preciso perguntar se aceitarão a democracia caso sejam derrotados, existe uma diferença anterior a qualquer programa econômico.
Chama-se República. E, em 2026, é espantoso que isso ainda precise constar do currículo.
- Julio Benchimol Pinto



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