Justiça Seletiva Destrói A Confiança Na Justiça

 Quando André Mendonça autoriza investigar Lulinha, não vejo escândalo. Se há indícios, investigue. Ponto.

Quando autoriza investigar Jaques Wagner, também não vejo escândalo. Se há indícios, investigue. Ponto.


O problema começa quando a régua parece mudar conforme o investigado.


No caso do governo Lula, o ministro autorizou investigações, retirou sigilos, fez críticas públicas ao risco de vazamentos, impôs determinações incomuns à Polícia Federal e acabou provocado pela própria PF e pela AGU, que contestaram judicialmente parte dessas decisões.


Já nos processos envolvendo figuras centrais do bolsonarismo, especialmente Flávio Bolsonaro, a pergunta continua de pé: por que o mesmo rigor, a mesma publicidade e o mesmo grau de intervenção não aparecem com igual intensidade?


Não afirmo que exista favorecimento, mas algo mais importante: a imparcialidade de um juiz não depende apenas de ser imparcial; depende também de parecer imparcial.


Justiça seletiva destrói a confiança na Justiça, mas seletividade não se presume; demonstra-se. Por isso, a pergunta correta não é se Mendonça investiga Lulinha; a pergunta correta é outra: ele trata adversários e aliados políticos exatamente com a mesma régua?


Se a resposta for sim, fortalece-se o Estado de Direito. Se a resposta for não, não é apenas um lado que perde, mas também a credibilidade do Supremo.


- Julio Benchimol Pinto

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