O Homem Das Emendas
Flávio Bolsonaro acaba de apoiar Eduardo Cunha para deputado federal por Minas.
Cunha. Aquele mesmo.
Cassado em 2016 por mentir à CPI da Petrobras sobre patrimônio no exterior, preso e condenado na Lava Jato - condenações posteriormente anuladas por questões de competência.
Mas esqueça o passado por um instante. O presente é ainda mais interessante.
Mesmo sem mandato, Cunha apareceu em investigação da PF indicando municípios, discutindo valores e articulando emendas parlamentares.
Uma espécie de deputado paranormal: perdeu a cadeira, mas a emenda continuou baixando nele.
Flávio Dino determinou bloqueio de R$ 6,15 milhões em seus bens diante dos indícios investigados.
E vem o requinte.
Enquanto articulava recursos para municípios mineiros, Cunha construía sua nova base eleitoral em Minas e expandia negócios de comunicação ligados à família.
Em João Pinheiro, onde adquiriu duas rádios, o prefeito agradeceu publicamente a Cunha por R$ 1,05 milhão para a saúde.
Não há prova de que as emendas tenham financiado as rádios. A pergunta séria é outra: como alguém sem mandato adquiriu tamanho poder sobre dinheiro público justamente nos municípios onde construía sua implantação política?
E quem surge abraçado a Cunha?
Flávio Bolsonaro.
O Flávio das rachadinhas investigadas na Alerj. O Flávio que pediu a Daniel Vorcaro milhões para financiar Dark Horse, o filme sobre o pai.
O bolsonarismo continua implacável contra a corrupção - sobretudo quando praticada pelos outros.
- Julio Benchimol Pinto



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