Roraima, O Curral Do Bolsonarismo
Roraima tem uma paisagem extraordinária, uma história singular e um talento político cada vez mais constrangedor.
Em 2022, deu a Bolsonaro 76,08% dos votos no segundo turno - o maior percentual do Brasil.
Desde então, parece empenhado em transformar devoção política em identidade regional.
Denarium fez carreira agarrado ao bolsonarismo. Hélio Negão atravessou o país, trocou o Rio por Roraima e descobriu que bastava acrescentar “Bolsonaro” ao nome para se apresentar como candidato ao Senado.
Agora vem Arthur Henrique.
Quando prefeito de Boa Vista, sua gestão desapropriou por R$ 21,5 milhões um imóvel de empresa ligada a Haroldo “Cathedral” Campos.
Hoje, Cathedral é seu candidato a vice-governador.
O Ministério Público sustenta que o imóvel teria sido escolhido antes dos estudos que deveriam justificar sua escolha, aponta possível desvio de finalidade e pede a anulação do negócio e a devolução do dinheiro.
A Prefeitura contesta. Ninguém foi condenado. Mas a sequência é politicamente obscena: o empresário recebe R$ 21,5 milhões numa desapropriação municipal; três anos depois, vira vice do ex-prefeito que comandava a prefeitura.
Pode haver explicação. É para isso que existem Justiça, Ministério Público e documentos - não culto ao líder.
O que entristece é ver Roraima, terra de gente inteligente e decente, convertida no principal reduto de um movimento que fez da truculência método, da religião ferramenta eleitoral e de Bolsonaro uma espécie de sobrenome honorário.
Roraima merece ser mais do que isso.
- Julio Benchimol Pinto



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