O Patíbulo De Ben-Gvir
Itamar Ben-Gvir resolveu transformar a forca em plataforma eleitoral e o enforcamento em conteúdo político.
O ministro da Segurança Nacional de Israel apareceu no local preparado para futuras execuções de palestinos condenados por terrorismo. Haverá até espaço para que familiares de vítimas assistam.
Não é preciso ter nenhuma complacência com terroristas para perceber o que há de degradante nisso.
Punir assassinos é função do Estado; fazer da morte um espetáculo é outra coisa.
Uma democracia pode ser dura sem ser bárbara, pode proteger seus cidadãos sem converter a execução em liturgia política, pode exercer justiça sem transformar o patíbulo em palanque.
Ben-Gvir parece interessado justamente no contrário: teatralizar a crueldade.
E há nisso uma perversidade histórica adicional. Durante séculos, judeus foram perseguidos, expulsos, queimados e enforcados porque sociedades inteiras aceitaram a fraude de responsabilizar “os judeus” pelos atos de indivíduos judeus.
Agora um ministro judeu oferece aos antissemitas uma imagem perfeita para a propaganda que eles sempre quiseram produzir: a de que o extremismo de um político israelense seria expressão do judaísmo, do sionismo e dos judeus espalhados pelo mundo.
Não é. Ben-Gvir não representa os judeus, não representa o judaísmo; representa uma extrema-direita israelense que transformou ressentimento, supremacismo e brutalidade em método político.
Israel tem o direito de existir, de se defender e de punir quem assassina seus cidadãos. Mas nenhuma dessas coisas exige transformar a morte em entretenimento cívico.
O antissemitismo não precisa de ajuda. Ben-Gvir, porém, parece disposto a prestar serviço voluntário.
E denunciá-lo não é abandonar Israel; é impedir que ele sequestre Israel em nome dos judeus.
- Julio Benchimol Pinto



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