Flavio Bolsonaro, O Exorcista Da Moral Alheia
Flávio Bolsonaro anunciou que vai entregar o Brasil “às mãos do Senhor Jesus”, “resgatar almas” e “expulsar os demônios” da Praça dos Três Poderes.
É uma ambição eclesiástica considerável para quem ainda tem tanta dificuldade em exorcizar os fantasmas do próprio sobrenome.
O homem fala em “crise moral generalizada” como se tivesse acabado de desembarcar no Brasil vindo diretamente do Sermão da Montanha.
Estamos falando do senador cuja biografia política atravessou o escândalo das rachadinhas, Fabrício Queiroz, depósitos fracionados, funcionários suspeitos de devolver salários e a célebre compra de uma mansão de R$ 6 milhões - episódios que ele sempre negou constituírem crime e cujos desdobramentos jurídicos tiveram arquivamentos e anulações importantes.
E agora Flávio sobe ao púlpito eleitoral para denunciar o pecado nacional.
Magnífico. A família que passou anos explicando cheques, dinheiro vivo, joias, imóveis e assessores descobriu finalmente o problema do Brasil: SATANÁS.
Convenhamos, é uma solução processualmente muito mais confortável: demônio não pede quebra de sigilo, não faz relatório de inteligência financeira e, sobretudo, não apresenta extrato bancário.
O mais extraordinário é a promessa de “resgatar almas”. Eu, se fosse assessor de campanha, começaria com uma meta mais modesta: resgatar a memória.
Porque transformar eleição presidencial em culto de libertação é muito conveniente: o adversário vira demônio, o candidato vira missionário e o eleitor deixa de perguntar pelas coisas terrivelmente mundanas deste vale de lágrimas - como dinheiro.
Flávio quer expulsar os demônios da Praça dos Três Poderes. Só falta descobrir uma coisa: quem fará o exorcismo na própria casa?
- Julio Benchimol Pinto



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