Quando A Neutralidade Escolhe Um Lado
Em 2022, mais de mil judeus brasileiros assinaram um manifesto de apoio a Lula e Alckmin contra Bolsonaro.
Claudio Lottenberg, presidente da CONIB, incomodou-se. Disse que não via necessidade de judeus serem “contra ou a favor de um candidato”. A CONIB, sustentava, deveria preservar a interlocução e não tomar partido. Muito prudente.
Corta para 2026. Flávio Bolsonaro anuncia Claudio Lottenberg para ministro da Saúde num eventual governo. E Lottenberg aceita. Detalhe: ele continua presidente da CONIB.
Aparentemente, o problema nunca foi misturar representação judaica e política. Era o candidato.
Quando judeus apoiaram Lula contra Bolsonaro, recomendava-se equidistância. Quando Bolsonaro Filho oferece um ministério ao presidente da CONIB, a equidistância pega o elevador e desce no Ministério da Saúde.
E há uma ironia adicional. Lottenberg foi crítico da cloroquina de Bolsonaro, classificou sua ampliação como “absurda” e criticou a condução federal da pandemia. Agora aceita antecipadamente comandar a Saúde sob Flávio Bolsonaro.
No mesmo momento, começa a circular “Judias e Judeus com Lula e Alckmin - 2026”.
Quatro anos depois, portanto, a discussão voltou ao mesmo lugar - mas com uma diferença extraordinária: em 2022, Lottenberg explicava por que era importante não escolher lados. Em 2026, descobrimos que ele só estava esperando chegar o lado com a pasta ministerial.
- Julio Benchimol Pinto



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