O Debate Dos Ausentes
A Band abriu a temporada de debates presidenciais.
Lula não foi, Flávio Bolsonaro não foi, Zema soube que os dois não iriam e também não foi. Augusto Cury chegou, descobriu que sobraram Caiado e Renan Santos, desistiu - e depois desistiu de desistir. Kassab, na plateia, fez a leitura política mais sofisticada da noite: dormiu.
Renan levou fraldas com os nomes de Lula e Flávio, chamou eleitores de Lula de “canalhas” e prometeu “banho de sangue” contra chefes de facções. Cury tentou introduzir uma extravagância naquele ambiente: civilidade. Caiado tentou parecer presidente. E Zema tentou parecer ausente. Conseguiu.
Mas a grande piada estava no palco vazio: os três presentes passaram boa parte do debate falando justamente dos dois ausentes. Não foi acidente; foi pesquisa eleitoral. Lula e Flávio concentram esmagadoramente a disputa, e a BTG/Nexus já mostra um eventual segundo turno em 46% a 45%.
Caiado tenta provar que existe direita; depois dos Bolsonaro; Renan, que existe política depois do algoritmo; Cury, que existe política sem homicídio verbal. Zema precisa primeiro provar que existe.
O primeiro debate de 2026 terminou, assim, como uma fotografia perfeita da eleição brasileira: três candidatos no palco, dois candidatos na eleição e Kassab dormindo. Talvez Kassab tenha sido o único que entendeu tudo.
- Julio Benchimol Pinto



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