O STF Ganhou Um Novo Cargo: Ministro -Delegado

 

André Mendonça parece disposto a acumular funções: relator, chefe da investigação, supervisor dos peritos e gerente de recursos humanos da Polícia Federal.


Na Operação Sem Desconto, determinou entrega imediata dos atos, cobrou dados extraídos, exigiu explicações sobre mudanças na equipe e apertou o cerco sobre o ritmo das perícias. A PF reagiu e acionou a AGU. Quando a polícia pede proteção contra o juiz que fiscaliza a polícia, o sistema acusatório já entrou em modo contorcionista.


Há motivos legítimos para cobrar eficiência: 1.700 equipamentos apreendidos, equipe reduzida e investigação arrastada. Só que fiscalizar demora não dá ao magistrado licença para assumir o volante da viatura.


A PF, aliás, foi quem pediu a abertura dos inquéritos contra Lulinha. A lorota de que tudo seria uma operação para protegê-lo desaba antes do cafezinho.


A questão é institucional e muito mais séria: juiz controla a legalidade, delegado conduz a investigação. Quando essa fronteira vira fumaça, a prova corre risco, a defesa ganha munição e o processo inteiro pode acabar no colo da nulidade.


André Mendonça precisa decidir se quer julgar o inquérito ou posar para a foto segurando a algema.


- Julio Benchimol Pinto

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