Augusto Cury Nasceu Na Índia i?

 

A campanha presidencial brasileira ganhou um mistério digno de Bollywood.


Depois do debate da Band, as buscas por Augusto Cury explodiram. No Brasil, cerca de 900%. Até aí, normal: apareceu na TV, virou novidade, despertou curiosidade.


Só que apareceram também picos de busca na Índia, Vietnã, Espanha, Reino Unido, Bolívia e EUA. Na Índia, o crescimento passou de 5.000%.


Calma: isso não significa uma multidão de indianos perguntando “quem diabos é Augusto Cury?”. O Google Trends mede crescimento relativo. Se a base anterior era quase zero, qualquer aumento vira foguete. Portanto, Índia não prova bot.


Mas aí começa a parte realmente interessante. Em uma semana, Cury ganhou cerca de 2,5 milhões de seguidores no Instagram. Em apenas 24 horas, 1,2 milhão. Ao mesmo tempo, explodiram vídeos, cortes, influenciadores, impulsionamento pago e buscas internacionais. Tudo quase junto.


Pode ser orgânico? Pode. Também é possível ganhar na Mega-Sena.


Só que existe um problema para quem quer explicar Cury apenas com robôs: ele cresceu também nas pesquisas eleitorais. Na Nexus, foi de 2% para 11%. Na AtlasIntel, de 1,6% para 7,8%.


Bot compra seguidor, comenta, compartilha e fabrica sensação de popularidade. Mas ainda não aprendeu a responder pesquisa eleitoral no lugar de milhões de brasileiros.


Então temos, provavelmente, dois fenômenos sobrepostos: crescimento eleitoral real e uma explosão digital que merece auditoria.


Não há prova pública de que Cury tenha comprado bots - muito menos bots indianos. A pergunta séria é outra: como um candidato quase irrelevante conseguiu, em poucos dias, 2,5 milhões de novos seguidores, picos de busca em vários países e uma máquina de viralização que campanhas milionárias levam meses para construir?


Pode haver uma explicação legítima. Só falta aparecer.


- Julio Benchimol Pinto

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