Quem Está Segurando Quem?
A crise entre André Mendonça e a Polícia Federal ganhou um detalhe delicioso - e bastante incômodo para a narrativa pronta.
Enquanto o ministro cobra autonomia, rapidez e rigor da PF nas investigações que alcançam Lulinha, investigadores dizem que pedidos da própria PF ficaram semanas - e em alguns casos meses - esperando decisão no gabinete de Mendonça.
O exemplo mais constrangedor: uma busca contra Cláudio Castro, no caso Master, teria levado cerca de dois meses e meio para ser autorizada. Em outro braço, envolvendo Jaques Wagner, a resposta veio em nove dias.
Diferença de prazo, sozinha, não prova favorecimento. Processo sério não se faz com cronômetro e teoria da conspiração.
Mas há mais: investigadores afirmam que medidas contra integrantes do Centrão também estariam represadas há semanas.
E aí nasce a pergunta que ninguém resolve gritando “E O MORAES?”: se Mendonça considera intolerável qualquer demora da Polícia Federal, qual é exatamente o critério de urgência dentro do próprio gabinete?
Porque juiz pode cobrar investigação, pode controlar legalidade, pode exigir cumprimento da lei; só fica estranho transformar a PF em suspeita de lentidão enquanto cautelares pedidas pela própria PF envelhecem na gaveta judicial.
A esta altura, talvez o problema já não seja descobrir quem está atrapalhando a investigação, mas descobrir quem está segurando a fila - e quem está passando na frente.
- Julio Benchimol Pinto



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