Série:O Macho Em Pânico

 

Feminicídio, poder e a guerra das masculinidades


12 - AS MULHERES MUDARAM O JOGO


Esta série começou com um homem em pânico e termina com uma sociedade mudando de lugar.


Falamos de feminicídio, pensão usada como arma, Red Pill, masculinidades religiosas, BTS, política pública e homens tentando descobrir quem são quando mulheres já não precisam pedir licença para existir.


E chegamos à eleição.


O bolsonarismo percebeu que havia um problema sério com o eleitorado feminino. Procurou uma vice mulher, criou programas “para elas”, tentou suavizar gestos e discurso.


A procura fracassou. No fim, Flávio Bolsonaro escolheu Alfredo Gaspar - e a chapa que buscava uma mulher para melhorar sua relação com as eleitoras terminou 100% masculina, com o candidato a vice ainda tendo de enfrentar uma gravíssima acusação de estupro de vulnerável, que ele nega e que precisa ser apurada com todas as garantias do Estado de Direito.


A ironia política é quase perfeita. Mas o verdadeiro finale não é sobre Flávio, Gaspar ou qualquer eleição; é sobre poder.


Durante séculos, o homem foi apresentado como chefe natural da família, senhor do dinheiro, intérprete da moral e proprietário informal do destino feminino.


Esse mundo está morrendo, devagar, aos trancos, produzindo ressentimento, Red Pills, guerras culturais e machos desesperados para recuperar um trono que a democracia começou a desmontar.


Mas também produz algo extraordinário: homens aprendendo a cuidar, chorar, dividir poder e viver sem precisar dominar.


E mulheres que votam, trabalham, sustentam famílias, recusam relações, denunciam violência, escolhem parceiros - ou nenhum - e obrigam a própria política a reorganizar-se ao redor de sua liberdade.


Essa foi a história desta série. O problema nunca foi o homem perder poder; foi descobrir que igualdade não o diminui.


O macho em pânico teme o fim do mundo; talvez seja apenas o começo de outro.


- Julio Benchimol Pinto

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