Tire O Sobrenome Deixe O Currículo

 

Faça um exercício simples: por dois minutos, esqueça que Flávio se chama Bolsonaro e olhe apenas para o homem público que quer presidir o Brasil.


Sete anos de Senado. Nenhum projeto de sua autoria transformado em lei. Duas propostas das quais foi coautor entraram em vigor. Presidindo justamente a Comissão de Segurança Pública - sua grande vitrine eleitoral -, compareceu em 2026 a 3 das 11 sessões. E deixou de votar em 43% das votações nominais do Senado no primeiro semestre. 


Agora olhe para aquilo que acompanha sua carreira.


No caso das rachadinhas, o Ministério Público acusou um esquema de R$ 6,1 milhões e denunciou Flávio por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A investigação rastreou dinheiro vivo, imóveis, despesas familiares e operações da loja de chocolates. O caso não terminou numa absolvição depois de examinar essas provas: decisões do STJ e do STF as invalidaram por questões processuais e de competência, e a denúncia caiu antes do julgamento do mérito. 


E aqui está uma história que cabe em quatro frases: quebraram seus sigilos, as provas foram anuladas, o Ministério Público tentou quebrá-los novamente, a Justiça negou. A última tentativa conhecida foi rejeitada pelo TJ-RJ em 2025. 


Enquanto isso, aparece outro processo. Flávio hoje é investigado no STF no caso Dark Horse. A PF encontrou no celular de Daniel Vorcaro conversas sobre repasses milionários para o filme de Jair Bolsonaro, referências a encontros entre os dois e tentativas de contato de Flávio durante os quatro dias que antecederam a prisão do banqueiro. 


Há ainda Adriano da Nóbrega: Flávio lhe concedeu a Medalha Tiradentes quando o então policial estava preso preventivamente. 


Nenhum desses episódios autoriza inventar uma condenação que não existe, mas também não autoriza apagar a história.


A propaganda pode fabricar um candidato em trinta segundos; currículo não tem botão de apagar.


- Julio Benchimol Pinto

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