Washington Está Olhando O Placar Do STF
Washington não está apenas acompanhando o julgamento do Supremo; está acompanhando como cada ministro vota.
Segundo a Folha, o governo Trump monitora a sessão para decidir se aplica novas sanções contra integrantes da Corte. Segundo o UOL, Flávio Dino e Gilmar Mendes estão entre os nomes que podem ser atingidos.
E há uma conexão brasileira nessa pressão.
Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo vêm mantendo interlocução com autoridades americanas sobre sanções contra ministros do STF. O próprio UOL informou que novas reuniões em Washington poderiam acelerar medidas contra integrantes da Corte.
É preciso separar as coisas.
Se há justa causa para investigar Moraes, investigue-se Moraes. Se há fatos contra Mendonça, investigue-se Mendonça. Se houver elementos contra qualquer outro ministro, faça-se o mesmo.
Mas uma coisa é investigação. Outra é um governo estrangeiro deixar pairar sobre juízes brasileiros a possibilidade de punição pessoal conforme o sentido de suas decisões. E outra, politicamente ainda mais delicada, é haver brasileiros atuando em Washington justamente para ampliar essa pressão.
Pode-se chamar isso de lobby, articulação internacional ou pressão diplomática.
Mas o problema institucional permanece: um ministro do Supremo não deveria precisar calcular quanto custará, em Washington, o voto que dará em Brasília.
Soberania não é palavra para discurso de palanque; é justamente o princípio que precisa valer quando a pressão estrangeira favorece o próprio lado.
– Julio Benchimol Pinto



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