O 7 De Setembro Mostrou Dois Brasis - E Uma Ironia Deliciosa
Na Paulista, Flávio Bolsonaro reuniu 28,5 mil pessoas no pico, segundo levantamento independente da USP/Cebrap. É público relevante, mas bem menor que os grandes atos bolsonaristas de 2024 e 2025.
No palanque, quase todo o ecossistema estava lá: Tarcísio, Nikolas, Malafaia, Feliciano, Bia Kicis, Valdemar, Moro, Dallagnol.
E Deus, evidentemente, também foi convocado.
O ato começou com oração. Flávio e Tarcísio haviam passado antes por culto. Havia camisetas “Oramos por você”, boneco de André Mendonça e Tarcísio explicando que Deus teria levantado Flávio para continuar a missão de Jair Bolsonaro.
A novidade retórica foi primorosa: depois de anos atacando o STF, descobriram que precisam “salvá-lo de Alexandre de Moraes”.
Malafaia quer instituições fortes, Nikolas quer Moraes na cadeia, Flávio promete indicar cinco ministros.
É o constitucionalismo de Damasco: uma conversão súbita, provocada por pesquisas eleitorais.
Em Brasília, o governo anunciou 70 mil pessoas no desfile oficial - número sem contagem independente equivalente e contestado reservadamente até por gente da segurança do DF.
Mas a imagem política foi poderosa: Lula, Alckmin, Fachin, Alcolumbre e Hugo Motta juntos na tribuna, enquanto o público gritava “sem anistia” e “fim da escala 6x1”.
O contraste é delicioso: na Paulista, a extrema direita tenta agora parecer defensora das instituições; em Brasília, Lula tenta ocupar soberania, República e normalidade institucional.
E no meio de tudo, o STF virou praticamente candidato à Presidência. A eleição de 2026 entrou de vez no Judiciário.
– Julio Benchimol Pinto



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