Deus Na Boca, O MP Na Porta
No Brasil dos patriotas de púlpito, “Deus, Pátria, Família e Liberdade” virou lavanderia moral: entra a conduta, sai uma camiseta com versículo.
Magno Malta, pastor e senador, foi denunciado pelo MPDFT por vias de fato contra uma técnica de enfermagem. Segundo ela, durante um exame, ele lhe deu um tapa, entortou seus óculos e a chamou de “imunda” e “incompetente”.
Mas há o avesso da história. Malta tentou responsabilizar a profissional pelo extravasamento do contraste. A investida foi arquivada: o médico disse que ela seguiu o protocolo e que o problema pode ocorrer mesmo sem erro. Ele chegou como acusador e terminou denunciado.
Também não é um raio em céu azul. Malta já acusou falsamente Luís Roberto Barroso de “bater em mulher” - e se retratou judicialmente; espalhou o falso “infiltrado do MST” no 8 de Janeiro; e foi condenado civilmente por divulgar uma mentira contra a mãe de uma vítima do Jacarezinho.
Eis a cereja litúrgica: Malta integra o Conselho de Ética, a Comissão de Direitos Humanos, a Frente Evangélica e a frente em Defesa da Família e da Vida. Não é currículo; é sátira pronta.
Em 2010, o próprio Malta pregava: “A boca que honra a Deus não desonra ninguém.” O Magno daquela época hoje seria chamado de comunista pelo Magno atual.
O problema não é a fé; é seu aluguel político. Essa extrema direita religiosa transformou versículo em salvo-conduto: Deus fornece a logomarca; a pátria, o cenário; a família, a blindagem; a liberdade, a licença.
Quando o púlpito vira palanque, o caráter não sobe; só o microfone fica mais alto.
- Julio Benchimol Pinto



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