Quando A Soberania Depende De Quem Está Interferindo
O Guardian publicou uma reportagem pesada sobre a atuação do governo Trump na eleição brasileira.
Trump vinculou medidas contra o Brasil ao tratamento dado a Jair Bolsonaro. Marco Rubio recebeu integrantes da família Bolsonaro. Washington tentou mandar funcionários ao país para questionar a confiabilidade do nosso sistema eleitoral. O Brasil negou os vistos. Os EUA retaliaram cancelando o visto da embaixadora brasileira em Washington. Rubio classificou PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras logo depois de reunir-se com Flávio Bolsonaro - justamente uma bandeira eleitoral da direita brasileira.
Não é 1964. Naquela época havia CIA, dinheiro clandestino e organizações de fachada.
Hoje a coisa perdeu até a vergonha de se esconder: tem tarifa, sanção, visto, Departamento de Estado e presidente americano dizendo publicamente quem considera vítima e quem considera inimigo no Brasil.
A parte mais deliciosa é que a operação pode ter produzido o contrário do pretendido. As tarifas chegaram a fortalecer Lula, e o próprio Flávio pediu que fossem suspensas porque estavam prejudicando sua candidatura.
O nacionalismo terceirizado descobriu seu paradoxo perfeito: para salvar o Brasil dos brasileiros, chamou os americanos.
E eu fico imaginando a reação dessa turma se Biden tivesse recebido os filhos de Lula, imposto sanções ao Brasil para ajudá-lo eleitoralmente e enviado funcionários para Brasília questionar nossas urnas. Não sobraria um poste sem uma bandeira verde-amarela.
Soberania é princípio. Quando só vale contra o adversário, chama-se torcida.
- Julio Benchimol Pinto



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