Quando Deus Entrou Na Política
SÉRIE - QUANDO DEUS ENTROU NA POLÍTIC
1. O ESPÍRITO SANTO E A URNA
Durante décadas, o pentecostal brasileiro conhecia bem o caminho do céu e desconfiava profundamente do caminho da Câmara Municipal. Política era “coisa do mundo”.
Até que descobriram uma coisa extraordinária: o mundo tinha orçamento, tinha concessão de rádio e TV, tinha cargo, tinha verba, tinha prefeito, governador, deputado, senador e, sobretudo, tinha poder.
Paul Freston percebeu a virada ainda nos anos 1990. O velho “crente não se mete em política” foi substituído pelo eficientíssimo: “irmão vota em irmão.”
A mudança não foi apenas eleitoral: milhões de pentecostais, historicamente associados às periferias, às classes populares e a uma religiosidade desprezada pelas elites, descobriram na democracia um instrumento extraordinário de reconhecimento.
O pastor que ninguém conhecia passou a receber vereador, depois prefeito, depois governador, depois presidente da República.
A igreja cresceu pela fé, mas foi a política que ensinou parte de suas lideranças a transformar rebanho em eleitorado, púlpito em capital político e prestígio religioso em poder secular.
O Espírito Santo salvava almas, mas a urna elegia deputados. E foi aí que a história ficou realmente interessante.
Continua.
- Julio Benchimol Pinto



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