Quando Deus Entrou Na Política
2. “NÓS TAMBÉM SOMOS GENTE”
Para entender a politização evangélica, é preciso começar por uma verdade que muita gente prefere esquecer: ela nasceu também de uma reivindicação legítima de dignidade.
Durante décadas, pentecostais foram tratados como pobres, ignorantes, fanáticos, gente de periferia.
Joanildo Burity mostra como a entrada na política foi também uma luta por reconhecimento.
A mensagem inicial não era: “queremos mandar no Brasil.” Era: “somos brasileiros e queremos lugar à mesa.”
E conseguiram vereadores, deputados, senadores, prefeitos, ministros.
Presidentes passaram a frequentar templos, governadores passaram a cortejar pastores, datas religiosas entraram em calendários oficiais.
A periferia religiosa ganhou respeitabilidade institucional.
Até aí, excelente. Democracia é justamente isso: transformar grupos invisíveis em cidadãos politicamente visíveis.
O problema começou quando parte das lideranças percebeu que havia passado de convidada a dona do banquete.
O discurso mudou de “respeitem nossa diferença” para “o Brasil é cristão e nossos valores devem governar todos.”
Uma minoria lutou para não ser submetida à maioria. Parte de sua elite, depois de conquistar poder, começou a sonhar em fazer exatamente isso com as outras minorias.
A história conhece bem esse roteiro.
Continua.
- Julio Benchimol Pinto



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